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John Hollenbeck Large Ensemble
Eternal Interlude
CD Sunnyside 20
09

 

 

Como o anterior “A Blessing” para a Large Ensemble já revelava, John Hollenbeck é um dos grandes manipuladores de sons do início do século, genial na forma como articula os actores, como reúne instrumentos para construir harmonias impossíveis, como compõe as figuras, como se move entre o rigor da escrita e a improvisação, fazendo suceder andamentos de grande furor a paisagens bucólicas.

Hollenbeck joga com o “tutti” orquestral de forma diferente do que fazem Steve Lehman ou Maria Schneider (para citar dois extremos opostos), num sentido em que por vezes parece retroceder para as formas expressionistas de Stravinsky ou Schoenberg, ou mais convincentemente para as repetições obsessivas dos minimalistas dos anos 60. E aqui reside o maior perigo da música de Hollenbeck, ao inadvertidamente redescobrir o já descoberto ou, ao delimitar o espaço da improvisação privilegiando a composição, apontar o caminho do fim do Jazz.

Mas essa maçã original já foi comida por Ellington. Apesar das minhas dúvidas, “Eternal Interlude” é um monumento de escrita e criatividade como há muito não se ouvia no Jazz, avassalador na beleza e no ímpeto.

Tony Kadleck (t, flis)
Jon Owens (t, flis)
Dave Ballou (t, flis)
Laurie Frink (t, flis)
Rob Hudson (trb)
Mike Christianson (trb)
Jacob Garchik (trb, "tenor horn")
Alan Ferber (trb)
Ben Kono (f, ss, sa)
Jimmy Viner (cl, st)
Tony Malaby (st, ss)
Dan Willis (ss, ss, f, trompa inglesa)
Bohdan Hilash (cl, clb, clcontralto)
Ellery Eskelin (st)
Gary Versace (p, ór, tec)
Kermit Driscoll (ctb, b-el)
John Hollenbeck (bat, comp)
Matt Moran (vib, mar)
John Ferrari (vib, mar)
Theo Bleckmann (voz)
JC Sanford (dir)

(Este texto foi publicado em Jazz 6/4 #4)